Ministério do Canto Imprimir e-mail

                      O Canto é um elemento muito importante na celebração litúrgica.

                O Canto exprime e realiza as nossas atitudes interiores. Tanto na vida social como na cúltico-religiosa, o Canto não só exprime, como, em certa medida, realiza os sentimentos interiores de louvor, adoração, alegria, dor, súplica. “Não se pode considerar mero adorno extrínseco à oração. Antes, irrompe das profundezas da alma de quem reza e louva ao Senhor”. (IGLH, 270)

                O Canto fomenta a unidade e exprime os sentimentos comunitários: pode-se dizer que o canto faz comunidade. Além disso, cria um clima mais solene e festivo na oração. “O que ama, canta”, como diz Santo Agostinho.

                O Canto tem, na Liturgia, uma função ministerial: não é como um concerto, em que se canta pelo canto em si e pelo seu prazer artístico. Aqui, o Canto ajuda, sobretudo, a que a Comunidade entre mais em sintonia com o Mistério que celebra. Ao mesmo tempo, cria um clima de união comunitária e festiva, ajuda pedagogicamente a exprimir a nossa participação no mais profundo da celebração.

                Assim, o canto converte-se em “sacramento”, tanto do que nós sentimos e queremos dizer a Deus, como da graça salvadora que nos vem dele.

                Segundo o Catecismo da Igreja, “o canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto «mais intimamente estiverem unidos à acção litúrgica», segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o carácter solene da celebração. Participam, assim, da finalidade das palavras e das acções litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fieis” (CIC, 1157)

                A música, tanto a instrumental como, sobretudo, a vocal, é um dos elementos mais válidos na celebração litúrgica.

                Destaca-se sobretudo o seu papel ministerial, ou seja, o serviço para que a Comunidade Cristã possa participar mais em profundidade mo Mistério divino que acontece em cada celebração. O Concílio assinala os valores da música: «a música sacra será tanto mais santa quanto mais intimamente estiver unida a acção litúrgica, quer expressando mais delicadamente a oração ou favorecendo a unanimidade, quer enriquecendo de maior solenidade os ritos sagrados». (SC, 112)

                (cf. Dicionário elementar de Liturgia, José Aldazábal, Ed. Paulinas)

                O Coro litúrgico desempenha na celebração um ministério litúrgico. Não é o único, mas que se deve harmonizar com os restantes ministérios e serviços e com a participação da assembleia.

                Compete ao Coro interpretar as partes que lhe pertencem e promover a participação dos fiéis no canto. O seu lugar na Igreja há-de ter em conta a natureza do seu ministério: faz parte da assembleia; realiza uma função própria. Estará, em princípio, junto da assembleia a quem sustenta e estimula com o seu canto, mas de tal forma que o exercício da sua função e a participação plena (nomeadamente sacramental) se torne possível e fácil.

                O Coro impede a participação da assembleia? Com o Coro, a assembleia limita-se passivamente a ouvir. Deve acabar o Coro? Mas, depois, o que fica?

                O Coro deve nascer da assembleia. O Coro nunca deixa de ser assembleia, mas é apenas uma parte, devendo ser mais preparada e formada. O caminho normal é que o coro litúrgico surja da assembleia como fruto do crescimento da sua participação.

                Pensar que todos os problemas da participação da assembleia se resolvem com a criação de um coro é ter uma visão errada dos problemas e das soluções. Nessa perspectiva, o coro irá, normalmente, dificultar a referida participação da assembleia. Mas, que dizer de um coro litúrgico que se formasse à margem da própria celebração?

                O Coro é parte integrante da assembleia. Isso deve manifestar-se em tudo, desde o lugar que ocupa até às acções que realiza. A assembleia, muito embora reconhecendo a função específica do coro, há-de sentir que ele é uma parte de si mesma, que está na celebração por sua causa.

                A assembleia estimará o coro, não porque ele a substitui no canto, não porque ele canta para ela, mas porque se sente apoiada e estimulada, porque experimenta que a sua participação no canto se torna mais elevada, mais esplendorosa, mais significativa e mais efectiva.

                O Coro existe por causa da assembleia, está ao serviço da assembleia. Ele sabe renunciar a muitas coisas a que tem direito (ao aplauso, à exibição, etc.). O serviço que procura é honroso e ao mesmo tempo humilde. No exercício do seu ministério, o coro canta juntamente com a assembleia, dialoga com a assembleia e executa a solo. 

                O Coro é pedagogo da assembleia. Este serviço à assembleia deve fundamentar-se no exemplo que o coro deve dar à assembleia: exemplo de vida cristã (cristãos comprometidos), exemplo de participação litúrgica (fazer do que cantam um testemunho público de fé; participação na Eucaristia; comunhão sacramental), exemplo do canto litúrgico (deve cantar exclusivamente música litúrgica, cantar bem, afinado, com o ritmo e a execução perfeita).

                O Coro é um grupo exigente. O Coro exige espírito de compromisso (ir aos ensaios), capacidade de relação interpessoal (nada de mexericos, boa relação com os outros coros litúrgicos, troca de experiências, ajuda mútua), sentido dos outros, abertura, ou seja, qualidades humanas de carácter e de diálogo (eliminar os exibicionistas).

                A finalidade do Coro é o serviço da liturgia, porque o coro e os que o compõem desempenham um ministério litúrgico. Torna-se evidente que quem dele faz parte deve ser cristão de fé vivida, praticada e testemunhada. O gosto pela música ou o interesse em fazer parte de um grupo coral não é motivo suficiente para se pertencer a um coro litúrgico.

                (cf. SDPLV)

 

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >