Ministério Extraordinário da Comunhão Imprimir e-mail

Um dos aspectos mais significativos da renovação conciliar foi a restauração dos ministérios laicais. E isso torna-se, hoje, particularmente visível na principal manifestação da Igreja que é a Eucaristia do Domingo.

Os ministérios dos leigos, embora não se restrinjam, nem se esgotem na Liturgia, têm nela, contudo, uma visibilidade maior. Por isso, a escolha daqueles fiéis para estes ministérios, nomeadamente o da distribuição da eucaristia, requer um especial cuidado, seriedade, sensatez e ponderação. Nesse sentido, o Ministro Extraordinário da Comunhão deve distinguir-se por uma vida cristã coerente, por uma situação familiar exemplar e gozar da estima da comunidade. Não deve, pois ser apresentado para o exercício deste ministério, quem possa ser motivo de reparo pelos fiéis. E é conveniente que a escolha recaia sobre quem já deu provas bastantes de comunhão, dedicação à Igreja e apostolado. Deve, ainda, ter recebido os três sacramentos da iniciação cristã, cultivar a piedade eucarística e ser modelo, para os outros, de participação activa e plena na celebração eucarística. Além disso, deve possuir um grau de cultura que, ao menos, corresponda à média da comunidade que vai servir.

Define-se como Ministério Extraordinário e deve ser exercido desse modo, isto é, em comunhão com os ministros ordinários e só quando for necessário. A propósito o Pe. Jounel comentava: "É preciso notar, antes de mais, que ele (ministro extraordinário da comunhão) não é instituído, estabelecido num cargo permanente, mas delegado para uma acção determinada, quer seja de modo relativamente estável quer seja para uma função transitória. Além disso, ele só é delegado para distribuir a comunhão”.

Este ministério deve implicar uma atitude de disponibilidade generosa: o bem de uma comunidade pode exigir-lhes a participação em algumas celebrações dominicais. Por isso, quem, porventura, não disponha do domingo para este serviço generoso, não deverá aceitar ser candidato.

O ministro extraordinário da comunhão deve viver uma intensa piedade eucarística.          Antes de mais, deve cultivar uma participação autêntica na celebração da missa, a partir da qual procura fazer próprios os sentimentos de Cristo: a sua acção de graças, a sua entrega ao Pai pelos nossos pecados, a sua súplica para que o reino de Deus se concretize na terra. A recomendação dirigida por São Paulo aos Filipenses adquire uma importância vital para a missa: “Tenhais em vós próprios os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (2, 5).

Não basta estar fisicamente presente na celebração eucarística. É preciso entrar na piedade filial de Cristo em relação ao Pai e fazê-la própria.

Sem um mínimo de união interior com o que se celebra sobre o altar não se recebe nenhum fruto espiritual da própria missa.

A atenção da fé, em prol duma união de caridade mais forte com Cristo, deve focar-se sobretudo nos três momentos chave da missa:

a)                  Na escuta da Palavra para o crescimento da fé;

b)                  Na oferta de Cristo, do seu sacrifício e de nós próprios durante a oração eucarística;

c)                  Na comunhão, como participação plena no sacrifício, comunhão com Cristo e comunhão com todos os irmãos em Cristo.

                Em segundo lugar, é necessário que toda a vida gravite em torno da missa, e que, a partir deste sacramento, se adquira a força de viver o amor.

                Quem participou na celebração eucarística recebeu a vontade de se doar por amor ao Pai e aos irmãos, tal como fez Cristo Jesus no seu mistério pascal.

                Viver a Eucaristia significa viver a caridade nas suas duas dimensões inseparáveis: para com Deus e para com os irmãos, até atingir a unidade.

                A prova da verdade e da autenticidade do encontro com Cristo na eucaristia reside consequentemente no facto de saber viver a relação com Cristo presente no irmão, especialmente no pobre. Jesus, de facto, fez com que os homens, e de um modo particular aqueles que sofrem, recebessem concretamente aquele amor que pede para si mesmo. É sobre ele que seremos julgados no último dia. “No entardecer da vida seremos julgados com base na caridade” (São João da Cruz).

Ai de quem se esquecer da relação indissociável entre a presença de Cristo na sua palavra, no sacramento e no irmão!

Levar a eucaristia aos irmãos, sobretudo aos doentes e idosos, significa levar-lhes e servir-lhes Cristo.

Por último, o ministro extraordinário deve alimentar uma intensa piedade para com a presença de Cristo que permanece nas espécies consagradas. A piedade que o leva a prostrar-se em oração junto do tabernáculo faz com que participe mais profundamente no mistério pascal e responda com gratidão ao dom daquele que, com a sua humanidade, infunde incessantemente a vida divina nos membros do seu corpo. Permanecendo perto de Cristo Senhor, o ministro beneficia com aquela íntima familiaridade, e, ao mesmo tempo, abre o seu coração para seu próprio bem e de todos aqueles a quem leva a eucaristia, reza pela paz e pela salvação do mundo. (cf. SDPLV)

 
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