Breve resumo sobre a Igreja Matriz Imprimir e-mail

        A Igreja Matriz, segundo aquilo que podemos constatar pela inscrição numa pedra na Igreja terá sido construída em 1711. Mas olharmos para o seu interior, percebemos que ela é anterior a esta data, como podemos ver pelas imagens pintadas na parede que fica por detrás do altar-mor.

         De qualquer modo, a grande reestruturação da Igreja pelos inícios do século XVIII, onde foi integrada talha vinda de Coimbra.

Os retábulos da igreja antiga eram três, foram construídos em madeira entalhada e na cor dourada. Estão datados do primeiro terço do século XVIII. Marcam uma fórmula transitiva do estilo pedrino para o estilo joanino. As suas colunas torcidas estavam envoltas em pâmpanos. E estes, apesar de ainda não terem a divisão de terços, também já não possuem a posição reentrante. Os seus ornatos saem de largas tarjas ondulantes, aparecendo os dosséis, as sanefas e as colgaduras.

O retábulo principal possuía quatro colunas salomónicas, tendo cada par lateral um nicho intermédio. Tinha ainda um vasto camarim, dispondo de um tecto às quartelas ornadas, e um trono com variados degraus, ornados também. O remate é composto por elementos de frontão quebrado, e tem a grinalda estendida por todo ele, decorado com anjos sobre o entablamento baixo e um rótulo na parte alta, onde se podia ver um pelicano.

Os retábulos colaterais foram feitos por artistas diferentes e seriam um pouco mais evoluídos. Eram compostos por três nichos, nas extremidades tinham colunas torcidas e com parras, ao meio possuíam pilastras misuladas onde se viam crianças atlantes, e o seu remate era de composição de sanefas.

Duas das esculturas pertenciam ao conjunto da talha dourada, foram ambas esculpidas durante o século XVIII e eram respectivamente: a Stª Eulália colocada no altar-mor e a Trindade, que está mutilada, estava posta no altar colateral do lado direito.

A escultura mais importante é a Virgem e o Menino, actualmente, chamam-lhe a Virgem do Rosário. Estava localizada no altar colateral da esquerda, foi esculpida em calcário e foi criada numa oficina coimbrã, durante a primeira metade do século XV. O pregueado do manto era fino e cair-lhe-ia em ponta. À sua esquerda estaria o menino, ao qual a Virgem oferecia uma romã.

A escultura de Stª Luzia, que estava, também ela, num dos altares da igreja antiga, datará de meados do século XV. É uma pequena escultura. Tem um manto de pregas grossas. Terá sido esculpida de modo artesanal.

No centro da igreja estava colocado o púlpito, executado em pedra de ançã, possivelmente durante o século XVIII. Este é uma reprodução em pedra do trabalho que, durante o período do barroco joanino, era geralmente efectuado em madeira.

Provavelmente, o escultor seria um artista invulgar, pois aprofundou a pedra com o conhecimento exacto dos planos, e tratou os pormenores com extrema delicadeza. Apenas as representações humanas são débeis, mas o mesmo acontecia nos trabalhos em madeira que eram efectuados naquela época.

A base está dividida em quatro sectores, com um atlante a segurar todo o conjunto. O segundo sector tem três aletas, tendo à frente em destaque uma criança desnuda. O sector seguinte tem nos seus ângulos uma sereia, na frente tem um rótulo empolado, nos lados tem outros rótulos menores que encerram o sol e a lua. O sector que forma a cornija tem folhas de acanto, na parte cavada e gomos na parte superior.

A porta do púlpito é deveras singela, excepção feita à cimalha que é coroada por dois arranques do frontão e tem um tufo de acantos a meio daqueles. O anteparo tem balaústres que são torneados e espiralados.

        Já no século XX, decorria o ano de 1955, foram efectuadas obras de reconstrução, durante as quais se subiram ligeiramente as paredes laterais; se colocaram novos tectos, novos vigamentos e também novos pavimentos. As cantarias foram construídas em calcário.

        Aproximadamente uma dezena de anos depois, foram efectuadas obras de conservação, cimentando nessa altura o adro da Igreja.

Nos finais de 2002 iniciaram obras de conservação e ampliação da Igreja Matriz, terminando com a inauguração e bênção no dia 11 de Dezembro de 2004.

A grande preocupação foi valorizar o passado e poder usufruir no presente de um espaço que ajudasse a melhor celebrar e viver a liturgia.


 
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