O espólio artísco-cultural da Igreja de Aguada de Cima: Intervenção de conservação e restauro Imprimir e-mail

A Igreja de Aguada de Cima tem como património artístico e cultural, três belos exemplares em Talha Barroca, assim como algumas importantes esculturas datadas provavelmente desde o século XV ao século XVIII.

A Talha Barroca que se insere num período artístico que vai desde o século XVII ao século XVIII, é um género de arte considerada pelos especialistas de um estilo irregular e extravagante, com variações múltiplas, conhecendo a palavra “Barroco” aplicações diversas consoante os lugares e as regiões.

Quase sempre estas maravilhosas Obras de Arte, destinam-se a maravilhar, comover e seduzir o olhar, convencendo o espectador e impondo-lhe assim os dogmas iconográficos.

A união de várias formas artísticas num espaço arquitectónico, leva-nos a um cenário de esplendor destinado aos sentidos da posse divina.

A invocação da palavra “Barroco”, é entendida não só como unidade artística, mas como sistema cultural e civilizacional; numa outra perspectiva, é um “espelho” do amor de Deus para com a humanidade e a resposta desta à misericórdia divina, presente na realidade temporal.

A intervenção de tratamento levada a efeito, sobre as obras que fazem parte do espólio cultural e artístico, na Igreja de Aguada de Cima, teve como principal objectivo, o respeito pela identidade e autenticidade da Obra, respeitando a sua estética, a sua integridade física e histórica, para que lhe seja devolvido o seu significado, compreensão e correspondente valor.

Antes de restaurar, isto é, intervir directamente sobre o objecto, dever-se-á ter sempre em conta, as possibilidades de conservação preventiva e, no caso de ser necessário o restauro, a sua intervenção deve limitar-se ao estritamente necessário.

Os bens culturais em geral e as obras de arte em particular, em qualquer sociedade, constituem uma Herança Patrimonial e Cultural que deve transmitir-se às gerações vindouras, razão pela qual, a sua preservação deverá constituir para todos nós uma obrigação moral.

O ideal seria que todas as Obras de Arte se encontrassem em bom estado de conservação e que as agressões sofridas ao longo dos anos fossem mínimas ou até inexistentes. Não esqueçamos, porém, os muitos séculos de existência das Obras que na maior parte dos casos são deixadas ao esquecimento e, mais grave do que isso, são desrespeitadadas, deixando feridas profundas a fazerem parte da história da obra.

Por tudo isto temos a coragem de levar a efeito intervenções de tratamento que vão no sentido de cuidar da beleza verdadeira, da riqueza e da identidade da peça.

Bem hajam todos aqueles que têm o privilégio de zelar por tão importantes obras, tornando assim possível às gerações vindouras conhecerem e apreciarem a nossa História Cultural, Artística e Religiosa.



Emília Pereira e Teresa Veiga

(Técnicas de Conservação e Restauro)

 
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