Os Vitrais Imprimir e-mail

Ao olhar para o Projecto de Restauro e Ampliação da Igreja Paroquial de Aguada de Cima, duas hipóteses se colocavam a nível de vitrais: utilizar a técnica “Tiffany”, com base em fita de cobre e vidros matizados, ou então, utilizar a técnica tradicional, com calha de chumbo, Vidros Catedral, Spectrum Lisos e Spectrum Water e Fosco e Grisalha Negra, Modelar e Castanha.

Prevaleceu a segunda hipótese, dado que estamos perante um projecto que visa valorizar o passado, nomeadamente naquilo que é parte da história viva da Igreja de Aguada de Cima.

Na Sacristia procurou-se colocar elementos significativos da Sagrada Escritura. Junto do Sacrário, ao complementar o “Pelicano”, colocou-se um Cristo, misto Ressuscitado – Bom Pastor. Na parte frontal da Igreja, um Cristo Ressuscitado e o Calvário, valorizando a Senhora das Dores.

Na nave central da Igreja foram colocados seis vitrais ovais. Estes vitrais contêm os sete sacramentos em cenas distribuídas sequencialmente sempre do lado esquerdo do vitral, para que no lado direito se encontre a mesma descrição em todos os vitrais. E assim sendo, na parte direita do vitral, temos representado um pilar de cor branca, que não tem começo nem fim, que simboliza a aproximação de Deus à humanidade; de seguida surge um outro pilar, ou seja uma coluna de cor amarela, representando a Igreja e o esforço de cada um de se aproximar de Deus. Branco e Amarelo representam toda a Igreja, dado que são as cores do Vaticano.

Por fim, nos mesmos vitrais ovais, vem o perfil da Igreja de Aguada de Cima, que começa por ter na sua base inúmeras cabeças, que se vão esvanecendo, na medida que vão trilhando o caminho da Graça e santidade de Deus. Cada um de nós é uma Pedra Viva na construção do Templo do Senhor.

Toda a cercadura é composta por folhas de louros, representando o poder de Deus sobre os fieis, cada um de nós, começando nos extremos com cores mais frias e convergindo para o centro, neste caso, no pilar principal em cor vermelha, representando assim o martírio, o amor e a chama da fé, que ilumina a vida do cristão.

Por fim surge-nos na fachada principal da Igreja, o Vitral da Padroeira, Santa Eulália.

Este painel foi elaborado tendo em conta dois aspectos diferentes: o aspecto técnico e o aspecto simbólico.

No aspecto técnico teve-se em conta sobretudo a dimensão do painel, e, como tal, escolheu-se por bem, motivos de grande dimensão para a base, para que assim suportasse todo o peso do restante painel, e, para os laterais, deixou-se motivos mais dissecados, pois aqui já não se corre o risco de peso excessivo; assim sendo, temos na base a videira, que tanto nos dá a ideia de peregrinação como do Baptismo, e temos duas cornucópias, símbolos muito utilizados nos desenhos vitorianos. Nos laterais colocou-se as palmas que são motivos mais retalhados e que estão ligados ao martírio e virgindade dos mártires.

Todo o restante painel retrata a história de Santa Eulália. Temos em grande plano, a jovem Santa Eulália, que depois de se apresentar ao governador, recusou-se a prestar culto aos falsos deuses, com o incenso e pão que se encontram do lado esquerdo do painel. Esta jovem corajosa aceitou o martírio da cruz e da fogueira, renegando assim a vontade do Governador em seguir outro caminho que não fosse adorar o Deus Verdadeiro, Criador e Pai do Céu.


Atelier Isabel Ramos

 

Para ver algumas imagens:

http://www.santaeulalia.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=132&Itemid=55 

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >