Aguada de Cima: Uma nomeação - Uma História Imprimir e-mail
        Foi em 19 de Setembro de 1993 que acabei por chegar a Aguada de Cima, fruto de uma nomeação do nosso Bispo de Aveiro, D. António Marcelino. 

        Era ordenado sacerdote na Diocese de Aveiro, sensivelmente meia dúzia de anos antes.

        Naturalmente ao chegar à Freguesia e Paróquia de Santa Eulália de Aguada de Cima, não deixava de ser um rapaz novo e tudo não deixava de ser uma grande novidade, na medida em que a responsabilidade não deixava de ser muita.

            Os primeiros tempos não deixaram de ser ocasião para reconhecer tudo aquilo que fazia parte daquela parcela do Povo de Deus integrada na Diocese de Aveiro.

Imediatamente senti que havia muito a fazer, em ordem à Comunidade Paroquial. Quando somos novos sentimos que o “fogo” do sacerdócio nos impele a darmo-nos por inteiro e a sermos a resposta para tudo e todos.

Mas se por um lado o “fogo interior” diz que sim, a realidade muitas das vezes ajuda-nos a “pousar” e a perceber muitas vezes de modo cruel o quanto somos pequenos e quanto somos dependentes da grande força que é o Espírito de Deus, que nos vai animando, confortando e impelindo a ir mais longe e mais além.

Era urgente caminhar no sentido da Participação e Corresponsabilidade Eclesial, como forma de viver e construir Igreja, à luz do Vaticano II. Não deixei de sentir essa urgência, como a sinto hoje passados todos estes anos de permanência em Aguada de Cima.

Simplesmente, quanto mais fui conhecendo a Comunidade e as pessoas, um sonho foi-se revelando – todos sentiam como urgência pensar a Igreja Matriz.

Desde os mais novos aos mais idosos, não deixei de sentir o quanto todos ansiavam por poder olhar a Igreja Matriz, com novo aspecto, dado que ela não oferecia grandes condições para poder celebrar a Fé e, ao mesmo tempo, as infiltrações de água já eram tantas, que alguns meio a brincar meio a sério diziam que quando chovia era necessário estar com o guarda-chuva aberto dentro da Igreja.

Mas ao auscultar as pessoas surgem muitas opiniões, o que é normal e natural: alguns diziam que era necessário fazer uma Igreja nova; outros diziam que bastava recuperar por completo a que tínhamos; outros diziam que era melhor recuperar primeiro a velha Igreja e depois pensar uma nova noutro local.

O que fazer? Por onde começar?

Depois de conversar com muitas pessoas, depois de ouvir alguns arquitectos ligados à freguesia, algumas ideias foram tomando forma: a igreja não poderia sair daquele local; além da recuperação que era urgente em relação àquilo que era fundamental naquela Igreja (Talha dourada, Pedra do Púlpito e Pia Baptismal), necessitávamos de um espaço físico maior, para a adesão de muitos baptizados que entretanto foram participando mais frequentemente nas actividades religiosas.

Todas estas inquietações levaram ao primeiro contacto com o Arquitecto Cravo Machado de Aveiro. Sabendo da sua grande sensibilidade e ao mesmo tempo tendo conhecimento da sua colaboração na Comissão de Arte Sacra da Diocese de Aveiro, senti que o caminho seria percorrido com ele.

Mas surgiram logo as primeiras dificuldades: não havia Levantamento nem Plantas da Igreja de Aguada.

Num contacto com o engenheiro José Oliveira, amavelmente ele cedeu a sua equipa de trabalho para que o Levantamento exaustivo da velha estrutura pudesse ser efectuado, bem como o Levantamento Topográfico de toda a Zona Envolvente à Igreja Matriz.

Depois deste trabalho feito com muita paciência e empenho de todos, era o momento de analisar o que se pretendia com a Nova Igreja.

Imediatamente surge outra grande dificuldade: as dimensões da Igreja, nomeadamente o pé direito, não permitiam grandes concretizações.

Entretanto o Arquitecto Cravo Machado apresenta um primeiro Projecto. Quantas discussões, quantas análises, quantas propostas...Não é fácil abrirmos o coração a situações novas, muito menos a algo que nos acompanhou no passar dos anos e que nos fomos habituando a ver duma determinada forma.

O tempo foi passando e a igreja matriz foi-se deteriorando cada vez mais: a ameaça de derrocada era iminente.

Nova tentativa foi levada a efeito em ordem a um Projecto que pudesse ser aglutinador de todas as sensibilidades. Por fim lá se chega a um consenso.

Pusemos mãos à Obra.

Quantas lágrimas não vi no rosto de tanta gente aquando da demolição das paredes na velha igreja...mas a esperança não esvaneceu, antes pelo contrário juntou mais esforços para a concretização do projecto.

Foram dois anos de sacrifícios, de sonhos, de algumas desilusões...foi lindo ver o quanto as pessoas, depois de ver o telhado colocado na Obra, reavivaram a esperança e esforços para mais rapidamente se terminar a Obra.

Mas valeu a pena.

Hoje ela aí está ao serviço desta Comunidade Paroquial.

Ao olhar para trás, já ninguém se quer lembrar das dificuldades e discussões em torno da Igreja. Tudo isso é para recordar no coração.

O importante é que hoje todos se sentem satisfeitos pelo objectivo alcançado.

É bom poder estar na nossa igreja matriz; sentimo-nos bem, é confortável e permite-nos sentir mais perto o amor de Deus.

Agora é tempo de uns com os outros criarmos laços que permitam que a Comunidade Cristã cresça cada vez mais ao jeito que nos pediu João Paulo II, quando nos desafiava a sermos cada vez mais Construtores da Civilização do Amor.

É na medida em que estamos cada vez mais comprometidos e empenhados que vamos construindo o Mundo Novo, marcado pela Fé, Esperança e Caridade.

Deus estará sempre ao nosso lado e santa Eulália há-de sempre proteger.

Padre Paulo Manuel Teixeira Gandarinho

 

 
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