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METAMORFOSES PASCAIS DO DESEJO (1) Imprimir e-mail

Frei Bento Domingues, O.P.

1. Os textos do Novo Testamento (NT) não foram encomendados ou ditados, relidos ou corrigidos por Jesus Cristo.

Surgiram em comunidades cristãs, depois da sua morte, para mostrar que o processo que O vitimou não podia ser arquivado.

A coligação das autoridades romanas e judaicas, ao contrário das aparências, sob a capa de um julgamento, de facto, tinham decretado o assassinato de um inocente em nome de Deus e do Império.

Os autores do NT, ao reabrirem o processo, não pretendiam rever uma questão jurídica do passado, mas testemunhar que estavam completamente enganados os que julgavam que o Nazareno e as suas propostas tinham uma pedra em cima, para sempre. Estava em curso, até ao fim dos tempos, a passagem agitada para uma nova era.

Era difícil o caminho da realização da esperança. Mesmo depois da ressurreição, até os discípulos mais chegados, continuavam a alimentar concepções messiânicas que Jesus tinha expressamente rejeitado durante a sua vida terrestre.

O autor dos Actos dos Apóstolos começa a sua obra narrando esse distorcido desejo pré-pascal: Estando reunidos, perguntaram-lhe: «Senhor, é agora que vais restaurar a realeza em Israel?».

Jesus não lhes reconheceu competência sobre essa questão. Precisavam de outra lucidez e de outra energia para enfrentar os novos tempos: recebereis uma força quando o Espírito Santo tiver chegado sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e Samaria, até ao fim da terra.

Os Actos dos Apóstolos desenharam um cenário  espantoso desse acontecimento: de repente, veio do céu um ruído semelhante a um vendaval, ficaram cheios do Espírito Santo, soltou-se-lhes a palavra e cada um os ouvia na sua língua materna.

Ao espanto de uns respondia a chacota de outros: estão com os copos. Coube a Pedro explicar o que estava a acontecer e rematou o seu entusiasmado discurso com esta solene proclamação: Que toda a casa de Israel tenha a certeza de que esse Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

Ao ouvirem isto, diz o texto, trespassou-se-lhes o coração e disseram a Pedro e aos demais Apóstolos: que devemos fazer? Precisavam de uma viragem completa mediante a conversão, banho de Espírito Santo em nome de Jesus Cristo e partida para a missão universal.

O profeta Joel já tinha escrito o poema para celebrar o que estava a acontecer: derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas hão-de profetizar, os vossos jovens terão visões e os vossos velhos, com sonhos, sonharão.

2. A pergunta subjacente a tudo o que foi dito é esta: quem tinha razão? Jesus ou aqueles que o mataram?

Procurar, hoje, uma resposta a essa pergunta não é para resolver um problema de há dois mil anos. Com o rodar do tempo e usando as mesmas palavras podemos estar a falar de realidades opostas ou que perderam o impacto que já tiveram.

Se Jesus foi morto em nome de Deus, da religião e dos interesses do Império, é óbvio que importa redescobrir qual era a concepção que Ele tinha de Deus, da religião e dos interesses do império. Não é uma operação fácil.

Os escritos do NT estão configurados por formulações teológicas, antropológicas e cristológicas muito diferentes. Nasceram de percursos de comunidades cristãs em contextos diversos.

Temos de resistir à tentação de sistematizar ou enquadrar, numa visão unificadora, essas concepções. No entanto, na sua diversidade, nasceram da urgência de confrontar a vida pessoal e comunitária com as narrativas de experiências com Jesus Cristo, na convicção de que Ele está vivo e o seu Espírito, se for acolhido com fidelidade, suscitará atitudes criativas perante novas situações.   

Passada a primeira febre apocalíptica paulina – a de organizar e preparar os cristãos para o fim do mundo – os textos destinam-se a preparar os discípulos, para enfrentar, com fidelidade, os novos desafios: acreditar e andar sem ver. Por isso, nunca poderão evitar a pergunta: Qual foi o percurso do Mestre?

3. Jesus levou muito tempo a encontrar o seu próprio caminho: teve de romper com o amigo mais admirado, João Baptista; com as concepções e expectativas messiânicas dominantes, expressas nas tentações que o assaltaram e nunca o largaram até ao último momento.

Não se dá o devido relevo à luta que teve de travar para romper com o caminho de João Baptista e sobretudo com as tentações messiânicas dominantes. Os quatro Evangelhos não são textos escolares, didácticos, professorais.

São textos polémicos, precisamente, acerca da incompatibilidade entre as concepções e atitudes de Jesus, as dos discípulos e as dos adversários. Foram estas incompatibilidades que O levaram à cruz.

Naquela sociedade sacral, a grande incompatibilidade nascia no seio da religião porque era ela que comandava tudo. Jesus não era um ateu, um agnóstico ou um sem religião.

Aquilo que o enervava não era só a hipocrisia, que continuamente denunciou, mas verificar que o recurso às observâncias religiosas, ao nome de Deus e à sua vontade servia para classificar uns como santos e salvos e outros como pecadores e perdidos.

Era uma luta teológica por causa de uma questão antropológica. Um Deus que é o consolo dos piedosos, dos ricos, dos poderosos e uma fonte de humilhação dos classificados como pecadores, por aqueles que estabeleciam as leis da santidade e as do castigo, era uma vergonha.

O caso permanente era a sua polémica com o Sábado, uma instituição civilizacional fantástica – o ser humano não é só para trabalhar –, mas que foi transformada no dia da opressão, em nome de Deus.

A insistência de Jesus em violar o sábado parecia uma actuação provocatória: escolhia, precisamente esse dia, para fazer o que estava proibido.

Tinha uma razão altamente teológica, coincidente com uma razão profundamente humana: o dia consagrado a Deus tinha de coincidir com o dia da libertação das vítimas da doença interpretada como possessão diabólica, fruto do pecado.

Um Deus que não é a alegria da vida, não é Deus. É um ídolo criado para justificar a dominação económica, política e religiosa, como veremos.

Páscoa para os nossos desejos distorcidos.

Fonte: Nós Somos Igreja

 
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