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Georgino Rocha

A pergunta de Jesus feita aos discípulos de João que o seguiam abre a nova fase do Ano Litúrgico que a Igreja nos propõe para celebrarmos.

É uma fase que valoriza o tempo comum, a normalidade da vida, o quotidiano. É uma fase que destaca a grandeza das “rotinas” assumidas como espaço de realização pessoal e oportunidade de salvação.

É uma fase que convida a mergulhar na profundidade do ser cristão que se expressa no viver e conviver diários, revigorados pela confiança e pela alegria do Evangelho. (Jo 1, 35-42).

Os discípulos são dois. Um é André e o outro não tem nome. Possivelmente, será João, o autor do relato. Mas pode haver outra intenção.

E o nome ser o da pessoa que segue Jesus, em qualquer tempo, anda à procura de saciar o desejo de se encontrar com Ele, de saber por experiência o que vai escutando de outros.

Que bom! Todos lá cabemos. Tu e eu. A resposta fica nas nossas mãos. A atitude dos discípulos abre camino à nossa decisão. Vamos acompanhá-los mais de perto.

O seu mestre, João Baptista, estava parado nas margens do rio Jordão. Jesus ia em movimento. Ele está prestes a sair de cena. Jesus a entrar em missão, na vida pública.

João não retém os discípulos, mas liberta-os e encaminha-os. Jesus acolhe e, pedagogicamente, inicia um diálogo de aproximação e convite.

Diálogo que o narrador resume a perguntas emblemáticas: “Que procurais? Mestre, onde vives? Vinde e vereis”. Perguntas que ficam a ecoar na história à-espera de interlocutores motivados para que haja encontro pessoal e comece a nova relação que humaniza e salva.

“Os que se puseram a seguir Jesus, atesta J. M. Castillo, La religión de Jesús, p. 62, queriam ver onde vivia. Viram e ficaram com Ele e convenceram-se de que era o Messias.

O sítio onde cada um vive indica o estilo de vida que leva”. Só ele convence e atrai. Ou escandaliza e afugenta. É atraente ou repelente. Foi assim nas margens do Jordão. Será assim em todos os lugares da terra habitados por discípulos missionários de Jesus, coerentes e ousados.

“Mestre, onde vives?” é pergunta resposta dos discípulos desejosos de saber onde morava Jesus. É pergunta acutilante que mantém toda a actualidade:

Onde está Jesus, com quem permanece, que preferências revela, quem escolhe para companhia, que relação estabelece entre os que o seguem, que missão lhes confia? É pergunta dirigida a cada um de nós: Onde estás tu e onde encontras firmeza e estabilidade?

“Jesus permanece no Pai, na sua Palavra, no seu amor, adianta Manicardi, p. 92. E os discípulos são chamados a percorrer o mesmo caminho: permanecer na Palavra e no amor do Filho para habitar com Deus”.

São chamados a cultivar a vida interior, dando atenção à oração que ilumina a consciência e aos sacramentos que a revigoram, à descoberta vigilante da novidade que o Espírito de Deus suscita para renovar a sociedade e promover o cuidado da criação. “A fé torna-se assim experiência de o Senhor habitar com o crente”.

“Vinde e vereis” é convite promessa feita por Jesus. Os discípulos foram, conviveram e fizeram uma experiência tão agradável que memorizaram a hora do encontro e despertaram para a urgência missionária.

Que maravilha! André vai ter com o irmão Simão. Depois é a vez de Filipe fazer o anúncio a Natanael. E assim até hoje. É sempre uma testemunha a contagiar outros a fim de viverem o dinamismo da fé.

Deus assim quer. Jesus assim faz. A pessoa assim reage e procede. A Igreja assim vive. O que de bom se experiencia cresce com a alegría da comunicação, do encontro, da comunhão. As mediações humanas são necessárias para descobrir e identificar a vontade Deus.

O Papa Francisco afirma aos participantes no congresso mundial: “Educar é introduzir na totalidade da verdade”; congresso realizado em 2015 e dedicado ao tema: “Educar hoje e amanhã: uma paixão que se renova”.

Deste modo lança um dos maiores desafios do nosso tempo e deixa a garantia de que “a cultura do encontro se forja na graça do encontro mais fecundo com o amor de Deus, convertido em feliz amizade, comprometido na transformação da sociedade. Formação integral, dar-receber-agradecer são chaves conceituais de todo sistema moderno de verdadeira educação cristã”.

“Que procurais? Vinde e vereis” é lema que expressa bem o desejo humano a que dá resposta plena a garantia de Jesus. Acredita!

Fonte: Diocese de Aveiro

 
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