A síndrome da Bournot e os padres

Tenho andado a ler umas coisas sobre a síndrome de Bournot nos padres, porque me foi sugerida a leitura de uma notícia que dava conta do suicídio de alguns sacerdotes com esta síndrome.

Os textos falavam que o grau de exigência da Igreja é muito grande. Espera-se que o padre seja, no mínimo, modelo de virtude e santidade.

Ora imaginem se isso fosse assim tão fácil, quantas canonizações de padres teríamos hora a hora.

Eu diria que mais do que esperar de um padre, se lhe exige. Exige-se-lhe a perfeição. Que esteja em todo o lado. 
 
Que tenha um sorriso constante, a amabilidade, o bom acolhimento, a pobreza e o desprendimento próprios da vocação, a sabedoria para todas as respostas, o celibato que é imensas vezes castrador, as certezas absolutas da fé.

Que seja impecável. Que não peque nem seja frágil. Que não cometa erros. Ou seja, que tenha superpoderes.

Uma pesquisa de 2008 da Isma Brasil, organização de pesquisa e tratamento do stresse, apontou que a vida sacerdotal é uma das profissões mais stressantes.

Naquele ano, quatrocentos e quarenta e oito entre mil e seiscentos padres e freiras entrevistados sentiam-se "emocionalmente exaustos". A psicóloga Ana Maria Rossi, que coordenou o estudo, afirmava que "um dos fatores mais stressantes da vida religiosa é a falta de privacidade.

Não interessa se estão tristes, cansados ou doentes, os padres têm de estar à disposição dos fiéis vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana". Vou continuar estas leituras.

Fonte: Confessionário dum Padre