A Adrenalina do senhor prior

Estava sentado ao seu lado.

A distância não alimentava muito desconforto.

Mas ela não parava de fazer piropos ao senhor prior.

Estávamos no meio de uma festa de aniversário, uma daquelas festas para as quais o pároco ainda vai sendo convidado.

Assim como ela. Não era mulher que fizesse incómodo libidinal ao senhor prior.

Era apenas uma senhora castiça que usava todas as conversas para meter picante.

 Por isso o padre, que era eu, ria-se e divertia-se. E às tantas entrou na brincadeira.

Na noite anterior estivera até tarde a assistir a um concerto, que achara maravilhoso. Cantara imenso, batera palmas, saltara, dançara.

 
Por isso, ao deitar-se, teve dificuldade em adormecer. Estava, como se costuma dizer, com adrenalina. Por isso, em tom de brincadeira, disparou para a vizinha do lado.

Esta noite deitei-me cá com uma adrenalina! E fez com a mão um sinal de exclamação e excitação. Mas a exclamação e excitação da senhora ainda foram maiores.

Dormiu com quem, senhor prior? Com a Adre…quê? Com uma Adelina, ou Adrelina? Eu bem digo, os padres são cá uma peça! Mas faz bem, senhor prior, os padres são homens como os outros.

Fonte: Confessionário dum Padre