Igreja «não pode ser uma espectadora» diante do drama da pobreza - D. Rino Fisichella

O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (Santa Sé) preparou um conjunto de subsídios para a semana que antecede o I Dia Mundial dos Pobres, criado pelo Papa Francisco, pedindo que as comunidades católicas abandonem uma atitude “passiva” neste campo.

“A Igreja não pode ser uma espectadora passiva diante do drama da pobreza, nem os cristãos podem contentar-se com uma participação esporádica e fragmentária para fazer calar a consciência”, escreve o presidente do organismo da Cúria Romana, D. Rino Fisichella.

A celebração de 19 de Novembro, penúltimo domingo do ano litúrgico na Igreja Católica, é proposta pelo Papa como ocasião de “verdadeiro encontro com os pobres”, para “dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida”.

D. Rino Fisichella realça que o Papa Francisco “quis dar o exemplo paradigmático de São Francisco de Assis”, o qual “não se contentou com abraçar o leproso e dar-lhe esmola, mas compreender que a verdadeira caridade consistia em estar junto dele”.

“A cultura do encontro resolve-se na partilha, em que o outro já não é um estranho, mas é olhado e tratado como um irmão que precisa de mim”, acrescenta o arcebispo italiano.

A celebração tem como lema ‘Não amemos com palavras, mas com obras’.

“O pobre pode entrar em casa, quando, de dentro da casa, se compreendeu que a ajuda é a partilha”, observa o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

O Papa vai presidir à Missa na Basílica de São Pedro, neste I Dia Mundial dos Pobres, a partir das 10h00 (menos uma em Lisboa).

Um conjunto de organizações católicas de solidariedade vai assinalar a data em Lisboa; a iniciativa, promovida pela Cáritas Portuguesa, começa no Largo da Trindade e prossegue às 11h00, na igreja de São Roque, presidida por D. António Vitalino, bispo emérito de Beja e vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

O programa marca também o arranque da operação “10 Milhões de Estrelas - Um gesto pela Paz”, a campanha de Natal da Cáritas.

Uma caminhada leva depois os participantes até à Ribeira das Naus.

A criação do Dia Mundial dos Pobres foi decisão anunciada por Francisco na conclusão do Jubileu da Misericórdia (Dezembro 2015-novembro 2016).

O Papa explicou na altura que vê nesta nova celebração a “mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo”, que encerra o ano litúrgico na Igreja Católica, evocando a sua identificação com os “mais pequenos e os pobres”.

Na sua mensagem para a celebração de 2017, Francisco criticou a “riqueza descarada” de uma minoria de “privilegiados” que agrava os níveis de pobreza, a nível mundial.

A figura escolhida como “testemunha da pobreza genuína” é São Francisco de Assis, que fundou a Ordem dos Frades Menores (franciscanos) em 1209.

Fonte: Ecclesia